Então, você conhece uma pessoa, amiga da amiga da amiga da sua prima. Conversa vem, conversa vai e chega a questão que “nos define”. E aí, o que você faz? Ah, eu estudo, eu trabalho, eu tomo mate na praça, eu danço no CTG, eu faço artesanato, ou tantas outras coisas que podemos fazer. Daí, por educação, hábito, curiosidade ou qualquer outro motivo, você pergunta o que a amiga da amiga da amiga da sua prima (conhecida de agora em diante como Fulaninha) faz.

É claro que você se arrepende. A resposta da Fulaninha não tem fim.

Ela começa: Ah, eu me formei em Administração e odiei, daí fiz um semestre de Publicidade e foi um saco. Daí fiz dois meses de Direito, três de Fisioterapia, quatro de Jornalismo, um semestre terrível de Psicologia, dois meses de Moda, um de Matemática que foi uma péssima ideia, quase um semestre de Ciência da Computação, e depois de três meses enlouquecedores desisti do curso de Engenharia Civil. Agora estou terminando o curso de Gastronomia e trabalho vendendo sucos naturais que eu mesma faço.

Quando ela sorri, indicando que terminou um belo conto, você está desorientado e sem fôlego, mesmo que quem tenha falado sem respirar tenha sido ela. Você até solta um “ufa” discreto. Pelo sorriso no rosto da Fulaninha, você sabe que ela está feliz.

Ela lutou suas próprias batalhas. Precisou enfrentar mil coisas, sem dúvida, assim como todos nós enfrentamos. Lutou contra as dúvidas, as indecisões e encontrou algo que a faz feliz. Sorte dela que encontrou, existem muitos que nunca encontram. Apesar de nunca ser tarde demais para encontrar algo que nos faça feliz.

Pode demorar algum tempo para encontrarmos “o nosso lugar no mundo”. Até porque, precisamos decidir cedo demais o que queremos fazer para o resto da vida e às vezes, escolhemos sem pensar, sem saber, sem nem imaginar (e sem considerar o mais importante: que não precisa ser algo para o resto da vida, a gente pode mudar e está tudo bem). E, muitas vezes, nossas decisões são influenciadas por pressões; da família, dos amigos, da sociedade.

Voltando a Fulaninha; você se orienta e se sente na obrigação de fazer algum comentário depois de saber por tudo o que a pessoa passou para estar ali, sorrindo na sua frente.

Você diz: uau, muita coisa. Imagina se você soubesse antes que fazer sucos lhe faria tão feliz.

E a Fulaninha recomeça: Ah não, mas se não tivesse passado por tudo isso, quem sabe não teria encontrado a minha verdadeira vocação.

E de novo ela sorri. E com apenas uma frase ela resume o que realmente vale a pena. O importante não é o destino. O importante é a viagem, as experiências colecionadas ao longo do caminho, os aprendizados, as quedas, as vitórias. Claro que o destino e os resultados são fundamentais, mas se a jornada não for apreciada, será como nunca ter viajado.

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