Pode ser que um dia você acorde e esteja tendo um dia normal, fazendo as coisas que sempre faz, seguindo a sua rotina, e de repente, sem uma explicação aparente, você sentirá uma vontade de fugir. Essa vontade não será óbvia. Você não sabe do que quer fugir. Se é dos problemas, da rotina, do emprego, das pessoas, da sua casa, da sua cidade, do seu estado, do seu país. Fugir do que? Fugir para onde?

Você vai tentar racionalizar. Vai tentar entender o sentimento, a vontade, aquela pinicada desconfortável que é quase física e não só na sua cabeça. Vai ignorar, negar, esquecer, deixar para depois. Ela pode ser passageira, acontece, você se faz mil perguntas, mas algumas horas depois ou no próximo dia, tudo sumiu. A vontade foi embora sem deixar vestígios e a única coisa que permanece é a lembrança daquele sentimento estranho.

Às vezes, porém, não será passageira. Será como uma gripe, vai vir, vai lhe incomodar um pouco, e assim que lhe encher o saco o suficiente, vai embora. E vai ter aquelas vezes em que ela não será nada passageira. Será um pensamento longo, duradouro, um sentimento contínuo, uma vontade sem explicação, um alarme que toca sem cansar. De novo, você vai racionalizar muito. Quanto mais tempo dura, mais tempo você se faz perguntas, procura respostas, investiga o mistério.

Durante esse processo pode ser que encontre respostas para outras coisas, faça mudanças, crie novos hábitos, aprenda habilidades, conheça pessoas e não há mais nada do que fugir. Porque não era realmente uma fuga que você precisava. Você precisava de novos ares, de novas cores. O cérebro inventou que você precisava fugir, porque ele precisava desesperadamente ser mais aberto. E para nos abrir, o único jeito é fugir de coisas velhas e que não servem mais.

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