galileu

Como você lê uma revista? Geralmente, lemos apenas aquilo que nos chama a atenção. Então, eu me propus um experimento. Ler a revista todinha, sem pular nada. A regra é ler até as letrinhas miúdas.

Peguei a edição de janeiro de 2018 da Galileu (não é propaganda, eu tenho assinatura da revista e gosto dela, é bom avisar), e li ela de cabo a rabo. E aqui estão algumas considerações dessa experiência:

– A carta da editora chefe (Giuliana, o nome dela), dá o tom para a reportagem de capa (sobre aplicativos de relacionamentos).

– Eu nunca tinha nem sequer percebido que havia um breve perfil de colaboradores da edição (isso vai ser importante mais adiante).

– O índice da revista é muito bem feito e tão lindo, parece uma tela de celular, um aplicativo dinâmico, quase dá vontade de apertar para ir até a página que queremos ler (não nesse caso, porque tenho que ler tudo).

– Aparentemente, atrás do índice, existe um trem de opiniões sobre edições passadas e uma votação no conteúdo (o que me chamou atenção para puxar edições velhas para ler essas matérias que ganharam a votação e eu nem li).

– Uma das primeiras matérias era sobre realidade virtual, com chegada dos filmes em 360º (eu me considero uma entendida do cinema e suas atualidades e não sabia disso, eu vou ali morrer de rir de mim mesma no canto), parece que o filme do livro “Jogador Nº1” é feito nos moldes. Eu sabia que existiam vídeos e jogos, mas filmes? E olha só a surpresa, parece que aquilo que é apostado pela indústria pornográfica alavanca as apostas das indústrias cinematográficas. Interessante, né?

– Depois veio uma reportagem que eu provavelmente pularia, que falava sobre a trajetória de Marcos Tordorov, que trabalha com o maior computador da América Latina chamado Santos Dumont e um dos mais potentes do mundo (sua potência equivale a 10 mil notebooks da última geração), no Laboratório Nacional de Computação Científica no Rio de Janeiro. Foi muito interessante ler sobre isso e eu fiquei muito feliz por ter uma regra me proibindo de pular a matéria.

-Aprendi que pombos têm noção de espaço e tempo, uma proeza cognitiva considerada cada vez mais próxima daquela dos primatas humanos e não humanos.

– Vocês sabiam que Tupã é encarregado da previsão do clima no Brasil? Não, não é um deus indígena, é um computador que devia estar aposentado, porém, vem recebendo peças novas a cada pouco para durar mais. Deve ser por isso que, às vezes, a previsão está meio errada, né?

– A luta de uma vulcanologista (que aceita piadas de Star Trek sobre o planeta Vulcano do Dr. Spock), para entrar para o Congresso norte americano, para ajudar a proteger e preservar o meio ambiente.

– Nunca prestei atenção que existe uma agenda astronômica, falando sobre quando vão ter super luas, encontro de planetas e etc. E eu estou no chão! Eu vou poder acompanhar de verdade agora.

– Recomendações de livros, filmes e séries me perseguem. Acrescentei tanta coisa para as minhas listas infinitas.

– A reportagem principal sobre aplicativos de relacionamento diz que nos próximos 20 anos, o percentual de casais que se conheceram por meio de aplicativos de namoro chegará a 70%. É, minha gente, pelo jeito sua alma gêmea está no Tinder e você ainda nem baixou o aplicativo (e mais recomendações de livros). Mas fica a fala da Mandy Len Catron: “tenha ideias mais flexíveis em relação ao amor, nem tudo é como esperamos ou como vemos nos filmes”.

– A reportagem sobre a violência crescente no México, é ainda mais significativa vindo de um repórter que está morando no país (a importância de ler sobre o perfil dos colaboradores), considerado um dos mais inseguros para profissionais da imprensa.

– O meu amor por astronomia despertado full force! Ler um pouco sobre a trajetória de Scott Kelly, que ficou um ano no espaço, fez com que eu colocasse na lista de próximas leituras o livro dele (mais recomendação de livros, alguém me ajuda). Ele tem um irmão gêmeo e ambos estão passando por exames e pesquisas da NASA, para ver os efeitos de se passar um tempo no espaço. E ainda comenta que a maior dificuldade não é ter ciência suficiente para irmos a outro planeta, mas política suficiente. Vai ser preciso pessoas no governo que acreditem em pesquisas para o avanço.

– A reportagem sobre a depressão da pós-graduação, com relatos de estudantes passando por burnouts em busca de diplomas e sucesso acadêmico, faz com que a gente reflita um pouco sobre o nosso sistema educacional como um todo. Anda enferrujado, né? A busca por mais educação não deveria nos esgotar.

– Com o texto do psiquiatra Daniel Barros “Muita coisa na vitrine, pouca coisa na sacola”, fiquei sabendo um pouco mais sobre um fenômeno que os cientistas estão chamando de “sobrecarga cognitiva”: incapaz de lidar adequadamente com tantas informações, o cérebro teria mais dificuldade em tomar uma decisão. Aquela coisa de ter muitos livros bons para ler mas não saber qual ler primeiro, afinal como Daniel mesmo coloca; “o preço do que fazemos é também o que deixamos de fazer”.

– E na última folha… adivinhem? Mais uma recomendação de livro.

Eu recomendo uma leitura completa da revista da sua escolha, viu? Eu me sinto muito mais interessada em ler sempre tudo, com medo de perder algo interessante ou de deixar de aprender algo.

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One Reply to “A experiência de ler uma revista inteira”

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