Há cinco anos atrás, eu embarcava para minha primeira viagem internacional. Eu tinha na mochila os meus 23 anos recém completados, um casaco (que ao chegar lá seria totalmente inútil e eu usaria apenas dois dias) e o meu passaporte novinho em folha com um visto canadense carimbado nele. Vancouver, aqui vou eu!

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       As duas malas que voltaram comigo não dariam conta da bagagem cultural. A viagem acabou sendo muito mais do que uma passagem de ida e volta para outro país, um curso de inglês e novos amigos. Acabou sendo uma experiência para toda a vida.

     Apesar dos primeiros dias estranhos e desconfortáveis (algo que nem vale a pena contar), o resto dos dias me pareceram como estar andando nas nuvens, em uma realidade alternativa, estar em um jogo que não tinha como perder. Eu tinha energia extra para levantar cedo e participava com muito entusiasmo das aulas. Uma de minhas professoras, inclusive, pedia sempre com muito amorzinho para eu deixar os colegas mais tímidos participar.

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     As trocas culturais foram as que mais me enriqueceram. O modo como as pessoas falavam com carinho dos seus países, da sua cultura, da sua história. E apesar de achar que não teria tantas coisas positivas para compartilhar sobre o meu país, me vi contando sobre várias maravilhas do nosso Brasil (quando estamos longe do lar começamos a perceber várias pequenas alegrias que vivemos e não percebemos – inclusive, acredito que viramos mais patriotas que nunca).

      Durante o passeio em Whistler, me vi lá no topo da montanha, agradecendo tanto pela oportunidade única, pelos momentos alegres que estava vivendo, mesmo batendo o queixo de frio (e descobri que, apesar de achar linda, eu não sou fã da neve).

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     Uma pequena vitória pelo mês inteiro que passei lá foi sobreviver sem guarda-chuva em Raincouver. A chuvinha insistente de todo dia, apesar de deixar os dias mais cinzas, aumentava a intensidade das cores e não diminuía a felicidade de estar lá.

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      As pessoas que conheci, as conversas que tivemos, aquilo que elas ensinaram e aquilo que ensinei, cada momento, inclusive os bobos, eu levei no coração. A conversa sem fim até tarde da noite em uma estação de metrô, se perdendo em uma trilha do Stanley Park, fingindo ser aluna da Universidade, pegando o ônibus errado para ir comer panquecas perto da praia, entrando em mais de dez lojinhas de souvenir diferentes para encontrar o chaveiro mais barato possível, passando um tempo anormal dentro da biblioteca porque estava frio demais, invejando o verão do Brasil enquanto conversava com amigos, patinando no gelo até os pés doerem e como esquecer do famoso puttini? Batatas fritas com queijo, bacon e tudo o que tiver direito será para sempre uma das melhores comidas de toda a viagem.

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     A única coisa que não ficou em Vancouver foram as lágrimas de saudade, que chorei só quando já estava voltando no avião.

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