Pôrdosol

Algo se quebrou. E mesmo que você cole os pedacinhos de volta, fica aquela marquinha. O excesso de cola, da tentativa e o insucesso gritando que não tem como voltar a ser como era antes. Não adianta, não é mais o mesmo. O quebrado nos mudou.

Na madrugada tento entender; foi algo que eu disse? Algo que eu fiz? Quero me convencer de que foi você, que eu não tive culpa, mas não tem como “nós” ser culpa só de um. Queria ter um botão para restaurar. Tem dias que quero restaurar tudo, nem ter te conhecido. A maioria dos dias, porém, só queria que o quebrado não tivesse acontecido.

Não vou mentir, tá? Não sou tão orgulhosa assim e confesso que sinto falta das promessas, das alegrias e das risadas, sabe? O vácuo acaba com as memórias boas, deixa tudo meio manchado. Eu penso em mandar mensagem, mas não consigo, então, acho que sou um pouquinho orgulhosa, sim. Tento me convencer de que é melhor deixar quieto. E não me sinto tão mal porque você também não me procura.

Pergunto-me, entretanto, se você cogita mandar uma mensagem, se quer saber se estou bem. Parece que perdi algo que nunca tive e é uma das sensações mais estranhas que já senti. Queria poder lhe explicar, mas não lhe devo explicações. E você também não me deve nada.

Por um lado, penso que tudo aconteceu como tinha que acontecer. Era melhor assim. Vamos acreditar que vivemos o que vivemos para aprender. Porque eu aprendi muitas coisas e sou grata. Eu achei que seria duradouro, gosto de acreditar em destino, que as coisas acontecem por um motivo, então mesmo que não fosse para durar, espero que cada parte possa levar algo disso. Não será a primeira nem a última vez que acredito que algo é para sempre e não é.

E que as marcas negativas desapareçam aos poucos, porque convenhamos, o que vivemos não foi tão intenso assim, mas foi legal, foi bom, e podemos viver bem com o fim de tudo. Vamos ficar bem, eu juro. Espero que esse vácuo, esse desconforto do nosso silêncio, o abismo que se abriu, possa deixar de ser desconfortável e possamos olhar para trás e dizer “fui amiga dessa pessoa, só tenho boas lembranças”. Deixa o quebrado de lado e vamos preservar o positivo.

Porque quando algo quebrou entre nós, não foi intencional, foi algo que aconteceu e não precisamos lembrar dos cacos, mas sim de que um dia eles estavam juntos.

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