Crônica

Caça às bruxas

bruxas

Preparem as fogueiras, a caça às bruxas ainda não acabou.

Tudo começou na Idade Média, quando a arte e a ciência começaram a crescer e as pessoas passaram a ter suas próprias crenças e verdades. O poder se descentralizou, e buscando retomar as rédeas do domínio, foram instaurados os Tribunais da Inquisição, caçando bruxas.

As bruxas são aquelas descritas como feias e perigosas, mas não havia nada de feio ou perigoso nessas mulheres. Elas eram curandeiras, parteiras, enfermeiras (a maior bruxaria que realizavam eram abortos). As pessoas pediam ajuda às “bruxas” pois se pedissem para qualquer outra pessoa, elas seriam julgadas e convencidas de que estavam erradas. Em sua maioria, as bruxas não faziam perguntas, elas davam chás, acalmavam dores, secavam lágrimas e davam uma nova esperança para a jovem violentada que não teria mais chances de casar, por exemplo.

As “bruxas” eram procuradas pelos seus conhecimentos. Levando em conta que conhecimento é poder, aqueles que queriam dominar o mundo não podiam deixa-las livres. A caça começou e 80% das pessoas queimadas em fogueiras foram mulheres que tentaram ajudar e foram julgadas “do mal”. Por medo de que elas conquistassem o controle, não lhe foram feitas perguntas, ninguém conversou com elas. Foram acusadas e o fogo fez o trabalho.

Os tempos são outros, mas as fogueiras ainda queimam. São novas “bruxas” com novos conhecimentos e poderes, elas fazem muito mais que suas ancestrais. Quando as bruxarias são trazidas à tona, o que o mundo faz? Exatamente como no passado, nenhuma pergunta. Elas são silenciadas e julgadas. As fogueiras do passado passam vergonha. As de hoje são maiores, alcançam novos horizontes. A nossa sociedade consegue se igualar com os Tribunais da Inquisição, pessoas julgadoras. É isso mesmo que somos? Só sabemos julgar?

Já dizia Carlos Drummond de Andrade: “Fácil é julgar as pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado. E é assim que perdemos pessoas especiais”.

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